
Minhas queridas mães,
Se existem seres humanos que não deveriam morrer são as mães.
Outro dia sepultamos a mãe de um grande amigo. Eu e o Leonardo ficamos até as 4:00h acompanhando o Uendel em sua dor e velório de sua mãe Cleonice. Foi uma madrugada com a morte ao lado que certamente nos acompanhará por até o fim de nossos dias.
A meia-verdade é que a morte me espanta.
O rei Salomão disse: “É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos, os vivos devem levar isso a sério!”
Enquanto levávamos a sério o dia da morte, tentávamos consolar nosso companheiro, relembrando alguns acontecimentos dos tempos de escola, quando vimos o Aloísio enchendo os olhos d´água...
...de tanto rir... discretamente.
Meu irmão, Aloísio, Leonardo, Uendel e eu tivemos que nos retirar do salão fúnebre, pois, segurar risada faz mal à saúde. Tivemos que ir para um canto inóspito do prédio para não atrapalhar. O Uendel foi junto. Respeitamos profundamente e sentimos a dor do luto dos familiares, não se trata de irreverência, pelo contrário, estar entre amigos num momento como esse, relembrar tempos e rever histórias é uma singela maneira de eternizar quem não queremos sepultar.
Nenhuma mãe deveria morrer.
Cazuza disse: “só as mães são felizes”.
Se um dia Deus apagasse todas as memórias da humanidade sobre como viemos ao mundo, e abrisse um concurso para premiar a maneira mais inventiva que alguém pode planejar sobre como somos concebidos e nascemos, certamente, as mentes mais brilhantes jamais poderiam imaginar algo mais criativo do que carregar outro ser dentro de si, gerá-lo, e finalmente experienciar o ato de “dar a luz”.
Ninguém nunca perguntou aos recém-iluminados, mas acho que choramos ao nascermos porque nos separam de nossa genitora... para sempre. Em nosso nascimento somos separados de nossa mãezinha, em sua morte separam-nas de nós.
Só as mães dão a luz.
Como uma pessoa que dá a luz pode ser apagada da vida? Agora entendo quando muitos filhos perdem o brilho nos olhos ao verem suas mães falecendo: a luz de sua vida está se apagando...
Mas nos resta uma imortalidade e uma esperança.
Para falar sobre a imortalidade, com vocês o grande educador Rubem Alves:
“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor assim não morre jamais.”
Professoras e professores são mães.
Tenho inúmeras lembranças, mas refiro-me especialmente a Vilma que foi secretária na casa de meus pais por mais de 20 anos, certa vez quando ela deixou de trabalhar conosco por um tempo, todos os dias acordava cedo e ia para a esquina e se escondia, somente para me ver passar a caminho da escola, e ali, por detrás de um muro ou árvore, chorava de saudades... aquele "pingo de gente" cabisbaixo, chutando pedras, limpando remelas, com uma pasta pesada nas costas, mal sabia que havia um anjo acompanhando cada passo seu, talvez jamais alguém me ensine amor, sacrifício, humildade e abnegação tanto quanto ela. A Luciana, minha esposa, que foi a primeira pessoa que leu a Bíblia para mim, não posso imaginar quem seria hoje sem aquelas leituras eternas em bancos de praça. A Ana Lúcia que quando não tive ninguém para me ouvir e cuidar de minhas feridas profundas estendeu a mão e tirou-me do buraco. A professora Fernanda, que está me ensinando fazer o que mais amo fazer na vida: escrever.
Deveria haver um exame, um tipo de ressonância magnética cerebral para descobrir quanto de cada professor acadêmico e prático há em nossa fala, gestos, atitudes e pensamentos. Mas Rubem Alves tem razão, os que morreram imortalizaram-se em nós, ainda que em pequenas partículas de vida.
- "Mas Lucianno, Dia das Mães, festa, churras, macarronada, música, reunião de família, menino correndo e gritando, vovô segurando a peruca, e você falando de morte?! Não daria para falar noutro assunto?"
- Não.
Não porque a mãe do meu pai já se foi. A mãe da minha mãe também e nem em seu velório pude estar. A mãe do Uendel expirou a alguns dias. A mãe de meus primos José Manuel, Arthur e Maria Raquel, quando falei com ela da última vez estava por entrar na ambulância indo falecer no hospital. A mãe da minha prima Fernanda morreu. A mãe da Bianca faleceu. A mãe da Cárita também. A mãe da Beatriz e do Alexandre da mesma forma. A mãe da Eni (do Seminário Teológico, outra mãe que tenho) experimentou o passamento a 40 anos e até hoje o dia das mães é um dia difícil para ela, e sempre será. Despedi-me da dona Ana numa cama de hospital combinando de um dia reencontrarmo-nos. A mãe do Bolinha e a mãe do Erick faleceram. A mãe de Jesus também...
Por isso, finalizo falando da esperança que nos resta.
Desta vez com a palavra, ele, o grande (Santo) Agostinho: “Maria tornou-se mais feliz recebendo a fé de Cristo do que concebendo a carne de Cristo.” Não sou eu quem está dizendo, mas o Santo Agostinho, precisa de alguma referência? Algumas frases não são tão interessantes em si, mas da boca de quem saiu, torna-se uma bomba.
Querida mãe, amigos mestres e mestras amigas, a morte me espanta, mas a vida incriada e sem fim muito mais. Todos os assombros do mundo não seriam suficientes para mover um milímetro do véu que paira sobre os olhos de muitos que ainda não enxergaram a Vida.
Assim como Maria, mais felizes seremos recebendo a fé de Cristo: o Deus sobre tudo, o Deus que transcende o nada quando somente o nada existia, SENHOR da morte para sempre. Depois que tudo se acaba, todos morrem no final do filme, não há a quem recorrer, essa é a esperança que nos resta...
Eu te amo minha maravilhosa mãe Amália, obrigado por dar a vida por mim quantas vezes for necessário, você é a melhor mãe do mundo. Obrigado mulheres e mães imortais da minha vida. Vasculho, mas não encontro palavras para dizer o quanto sou grato. Estou aprendendo a ver o mundo pela magia de vossas palavras...
Assinam-me:
Amália (minha mãe), Vilma (mãe do Nenezinho), Vânia (mãe da Beatriz), Ana, tia Geralda (mãe do Múcio), tia Vilma (mãe da Andrea), tias Marilu, Maura, Nedy, Desire e Terezinha, Luciana, Profª Fernanda Nakamura, Profª Silvia, Profª Jucelém, Darci (mãe do Georton), Ana Lúcia (mãe do Leonardo) Francisca (mãe da Fernanda), Vânia (mãe do Diego), Ivone (mãe da Giovana), Ana Lúcia, Dona Peixota, vovó Geralda, vovó Gumercinda, Maria (mãe de Jesus)... e tantas outras Marias...

Olá Uvas Roxas,
Nunca fiquei tanto tempo sem publicar. O carregador do meu computador estragou (e vai demorar arrumar) por esse motivo fiquei sem a principal ferramenta, sem contar que todos os textos estão no mesmo computador, resultado (como diz meu pai): fiquei num mato sem cachorro. Mas nem tudo estava perdido, sempre há uma saída, e como dizem os embusteiros pregadores da prosperidade e despregadores do evangelho: “determinei minha vitória”, “alcancei meu inimigos e os atravessei”, “fui fiel na campanha”, “não aceitei a derrota”, e escrevi dois textos.
Problema resolvido? Nãooooo. Uma de minhas professoras num extremo ato de caridade e paciência está me ensinando a escrever, por isso, como alguns textos passo a ela para dar uma olhada, tais escritos demorarão um pouco mais a cair na rede.
Por tudo isso venho aqui, com o intuito de dar uma satisfação aos leitores, inclusive a mim mesmo (risos). Aprendi que uma obra não é feita somente pelo escritor, mas por três elementos: o escritor, o meio impresso ou virtual que se dá essa comunicação e o leitor. Por isso, você é escritor aqui, assim como, também sou leitor.
Às vezes confundo tanto essa tríade, que fico imaginando: “o que será que ele(eu) vai(vou) publicar essa semana? Qual será o título? Se EU LEITOR soubesse antecipadamente o título, será que escreveria diferente do EU ESCRITOR? Por outro lado, quando leio meus textos, muitas vezes não vejo a mim, mas outros escritores, mestres e amigos(as) aos quais ouço. Nisto sempre acreditamos, os comentários no blog refletem bem esse conceito.
Conversa vai e conversa vêm, não estou aqui para encher linguiça, mesmo porque, consegui um carregador de um amigo no seminário e estou na minha máquina, com acesso a alguns artigos prontos para serem publicados, mas resolvi compartilhar uma alegria que me ocorreu hoje.
Acabo de sair do primeiro encontro de escritores cristãos (em Anápolis), nem nome tem, foi apenas um encontro de escritores anônimos, iniciantes ou já experientes, mas que em comum tem amor as letras. Assistimos uma excelente palestra com a Dra. Else Lemos abordando temas como: mercado editorial, publicação independente, editoras, literatura, contação de histórias, livros técnicos, poesia, etc, oramos juntos e nos conhecemos.
Uma frase que não esquecerei é: “Quer aniquilar a história de um povo? Conte a história deles.” Isso inibe e impede que seu próprio povo conte sua própria história, ou seja: a verdadeira história. A palestrante trazendo a frase para o nosso contexto, mostrou dezenas de manchetes da mídia (pesquisa das últimas semanas) falando sobre os cristãos, deixando muito claro que o que a mídia está contando sobre nós representa a parte mais podre de pessoas e grupos que se dizem cristãos, mas na verdade nada tem haver com o evangelho de Cristo. Isso porque estamos deixando charlatões, falsos evangélicos, pérfidos pastores (adjetivos meus, a palestrante foi mais polida) e outros povos (não cristãos) contarem a nossa história. É mais ou menos como se SOMENTE um argentino ensinasse história do Brasil aos ingleses na língua grega. Não vejo problema em um argentino contar a minha história, mas ter a contação de história do hermano como única "não dá né meu irmão?!"
Else também mostrou um vídeo de uma contadora de histórias nigeriana falando de sua vida como escritora contando história de seu povo nos EUA, seu nome é Chimamanda Adichie (veja o imperdível video aqui). Esse comentário de uma moça no youtube fala por si: "Já perdi a conta de quantas vezes assisti esse vídeo. É maravilhoso..."
Enfim, meus parabéns ao Wilhan, Rogério, Jesus, Luis César e a todos os amigos que estão nesse barco, dos quais tenho o privilégio de fazer parte (que entrei de gaiato), descascando batatas no porão (“com muito louvooooor”, humm, desculpe a piada interna de um povo, foi só para descontrair). Até ao próximo encontro.
Quem quiser participar (além de mim mesmo) entre em contato comigo.
Obs: Essa semana publicarei um texto fazendo uma associação entre a morte, as mães e a vida. Venha e traga um amigo, uma Crush e um bolo de três cores.
Com Deus.

Em minha adolecência Legião Urbana foi uma de minhas bandas preferidas. Interessantemente, parece-me que continua sendo, pois há algum tempo, tenho ouvido muito, mais que antes inclusive. Este podcast dos irmaos.com trata da espiritualidade na obra da Legião Urbana.
Faça o download no link abaixo e ouça, relembre, aprenda mais e se emocione:
No último Domingo de manhã. Já estava na sala no Seminário me preparando para o dia todo de mais uma aula. Quando recebi a notícia da morte de Brennan Manning: o maltrapilho de Deus. Um dos autores que mais li. Seus textos sempre me arrombaram. Até então, era um dos escritores, teólogos (católico) vivo dos quais mais aprendi sobre a graça de Deus, a partir de agora, um dos escritores, teólogos (cristão) que dormem no Senhor dos quais mais aprendi e aprendo sobre a graça de Deus. Certa vez num sorteio minha esposa ganhou um de seus livros: Colcha de Retalhos. Foi um tarde de viagem e leitura nalguma profundeza escondida de Deus da qual ficará para sempre em minha memória. Bom, não vou estender minhas palavras, apenas leia Manning. E não se esqueça de "moldar sua vida em resposta à esse amor". Abaixo três videos dele:

Por Lucianno Di Mendonça
Por amar e puro ser
Disseram-me que preciso conhecer
O amor verdadeiro
Mas amar não é sofrer
A dor de um ferido guerreiro?
Quem disse que amar é garantia de ser amado?
Onde está escrito que amar significa ser perdoado?
Quem falou que amar certifica ser compreendido?
Quem ensinou que amar assegura ser correspondido?
Aonde vai o coração pôr
Se quer o amor distante da dor?
Porque amar se tudo vai bem?
Quem irá gostar de ti se nunca foste além?
Por amar e puro ser
Disseram-me que preciso conhecer
O amor verdadeiro
Mas aprendi que amar é viver
O ardor de um destemido guerreiro
Disseram que vão me internar por estado de loucura
Acreditam que da doença do amor preciso receber a cura
Aos livres da dor, comigo venham estar
Então lhes mostrarei o que é sangrar condenado a amar
Não garanto que não deixes a vida segura com vista pro mar
Nem que não o julguem para nosso lado passar
Então gritarás derrotado no seio dos loucos
Oh! Doce loucura... porque relutei ser um de seus poucos?!
© www.uvasroxas.com
Correção: Profª Fernanda Nakamura

Por Lucianno Di Mendonça
Os Paralamas do Sucesso em Alagados dizem:
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
Quanto mais vejo fé nos religiosos, especialmente os declaradamente cristãos (de qualquer linha) mais gostaria de saber, fé em quê? Que arte desalmada e sem graça é essa de viver da fé que não se sabe fé em que? Só de alguém dizer que tem "muita fé" já é um claríssimo indicativo que essa pessoa não tem a mínima noção do que está dizendo.
Acha que estou exagerando? Faça algumas perguntas básicas, como por exemplo: no que você crê? Porque? Como? o que é fé? Como pode ter certeza do que crê? Qual a razão de sua fé? Quem é Deus? Como Ele se revela a você? Porque a Bíblia é a palavra de Deus? As Escrituras foram adulteradas para atender interesses políticos/religiosos? Como você sabe? Deus se revela somente através desse livro? Porque Ele não se revela noutras literaturas que requerem para si a mesma autoridade? Você ama e deseja conhecer esse livro que dizes ser inspirado por Deus ou nada se interessa por estudá-lo? Porque você sabe que Ele existe? Deus fala com você? Sério? Como? Não fala? Como não? Porque és cristão? Houve um dia em que entendeste algo sobre Jesus que fez total diferença na sua vida ou simplesmente é cristão porque é? O que Jesus quis dizer sobre novo nascimento? Você nasceu de novo? Será? Quem é Jesus? (essa é a top). Porque os ateus estão errados e você está certo? Será que não estás enganado em tudo que crê? Nunca sentistes vergonha em abrir a boca para falar de alguém que não conhece? Já sentiu-se aliviado(a) em reconhecer que precisa retirar a máscara, descer do salto do orgulho na festa das vaidades, despir-se da fantasia, se ajoelhar solitário no jardim da humildade à margem das águas serenas da vida e implorar o favor divino?
Diga que as respostas devem ser racionais e objetivas, e não responder todas as vezes que "o pastor Zezinho profeta não sei das quantas disse..." ou "o padre fulano de tal falou..." Alguém pode achar que é covardia e desnecessário sabatinar uma pessoa simplesmente porque disse que tem muita fé, mas, "tenha fé" no que estou dizendo: com duas ou três dessas perguntas o inquiridor desarticula totalmente o "fervoroso", fazendo-o complicar totalmente o meio de campo. E se ele perder a fé por causa disso é porque nunca a possuiu. Será uma benção de Deus, ele(a) descobrir que nunca teve nada do que sempre disse ter muito. Normalmente, os que tem "muita fé" são aqueles que colocam adesivo no carro: "sou feliz por ser católico", "amo minha igreja evangélica", "resultado de malaquias 3:10", "sou fiel dizimista", "presente de Deus", etc.
Um parêntese: (se fizeres algumas das mesmas perguntas, porém invertidas, aos que não crêem, a maioria vai embolar o meio campo também). Resumindo: o ser humano é mestre em criticar ou questionar corretamente os outros sem averiguar seus próprios fundamentos.
Dúvide da sua fé, desacredite de suas certezas, isso mesmo, se deixe balançar em seus conceitos! Está com medo de que? Tema a ignorância, essa sim pode acabar com sua vida enquanto estás rindo, tranquilo e dizendo que crê. Para nós que declaramos a crença em Deus, sendo tão maravilhoso, majestoso, infinito, justíssimo, Santíssimo, você não acha que esse assunto é extremamente importante para simplesmente dizermos como Chicó: "não sei, só sei que foi assim"? Como pode um "crente em Deus" se contentar com respostas superficiais para perguntas que não foram feitas? E se foram, não te preocupas em responder? Como pode um cristão que foi chamado para a renovação de sua mente aceitar pressupostos religiosos sem questionar nada?
Dizem que a Semana Santa se comemora a paixão, morte e ressurreição de Jesus, é verdade, mas e daí? Teatralizar a paixão de Cristo e chorar é suficiente? Ver o quanto o Crucificado sofreu e se compadecer dele. É isso? Sacrificar a si mesmo para subconsciente e religiosamente dizer que seu sacrifício é mais eficaz que o de Cristo ou pelo menos sacrificar-me um pouco para completar o sacrifício de Jesus que fora imcompleto? Mesmo? Tem certeza que o Autor e consumador da fé está feliz com isso? O sacrifício de Cristo não foi suficiente? Se foi, quando você se sacrifica, o que pede a Deus? Acha que tem algum direito porque "fez" algo para o Eterno? Onde Ele requereu alguma coisa de você? Se Deus acha que você poderia fazer algo bom para si mesmo porque enviou Jesus e porque Ele sofreu tanto?
Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone não estão falando especificamente sobre religiosidade, mas de injustiça social. Trenchtown, favela na Jamaica, favela da Maré no Rio de janeiro, e Alagados, favela em Salvador (que trás o título da música), na lista da revista Roling Stone ficou em 63º lugar entre as 100 maiores músicas brasileiras. Apesar de tudo isso, seus autores não imaginam o quanto sua letra é mais bíblica que muito do que se canta nas igrejas contemporâneas. É um clássico que atravessa décadas, porém, nunca estivemos tão "alagados" como agora. Quanto as antenas de TV, veja o que George Onwell, escritor que criou a expressão Big Brother disse: "a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia, e a mídia controla a massa". E em se tratando de massa, marcas e mídias religiosas a coisa se complica ainda mais.
Hoje minha esposa estava assistindo à um pregador televisivo, que juntamente com alguns outros desse time de falsos profetas, suas mensagens abarcam o lixo dos lixos do evangeliquês no país do samba, carnaval, futebol, corrupção e por último e não menos numeroso, o país da religião. Pois bem, fiquei observando o excelentíssimo pregador. A cada argumento encerrado com uma frase de efeito arquitetada para aplausos e arrepios, a galera ia ao delírio. É até engraçado sua sútil paradinha para a ovação dos fiéis que não sabem fiéis em que. Em homenagem a essas pessoas que tem um paupérrimo entendimento do evangelho fiz um poema com rimas paupérrimas:
Crentes, mas não sabem crentes em que
Filhos, mas não sabem filhos de quem
Salvos, mas não sabem salvos de que
Obedientes, mas não sabem obedientes a quem
Justamente na semana da páscoa, o evento mais importante do cristianismo, sabe quantas vezes ele se referiu a mensagem da cruz? Nenhuma. A essência de sua conferência (pregação é coisa do passado), como sempre, é vitória, vitória e mais vitória, e quem está no centro é o homem e não Deus, o bem-estar humano, sua prosperidade, tudo para mim, o que posso faturar, o que irei ganhar ao cumprir uma cartilha gospel, tudo eu eu eu, me dá me dá me dá, e ainda se não bastasse a distorção, para que eu receba, tenho que pagar: dinheiro, ou melhor, sementes e ofertas, juntamente com jejuns, frequência na igreja, “obediência” a líderes “ungidos”, a lista é extensa. E o que isso tudo tem haver com o evangelho puro e simples de Cristo? Nada.
Outro parêntese: (Não seria esse o caso de um típico culto de autoajuda gospel para ficar rico jogando na loteria da grande fezinha? A maravilhosa arte de viver de muita fé, só não se sabe muita fé em que).
Em seguida, disse a minha esposa que iria lhe mostrar um palestrante que não é religioso, mas fala a mesma coisa que esse pastor: entrei na internet e pus um vídeo de um estelionatário do Marketing Multinível, a ênfase de seu discurso era exatamente a mesma do “ilustre” pastor: prosperidade, riquezas, bênçãos, ma para receber tem que ter "muita fé" e trabalho [sic!]. Para isto recitava versos da Bíblia totalmente fora de contexto para um público não menos extasiado. Com raras exceções, não dá mais para saber a diferença entre um evento de motivação para ficar rico rápido e um culto evangélico, uma coisa sei: ambos deixam seu "adorador" pinel. Ah, há uma diferença: o segundo deixa o fiel que não sabe fiel em que, zoroca em nome de Gizuis. Pior é chamar isso de "relacionamento com Deus". A que ponto chegamos minha gente. É cada uma que vejo que certamente até o diabo duvida. Então cheguei a conclusão:
“Um palestrante motivacional que de vez em quando usa versículos bíblicos para fundamentar seu distorcido entendimento sobre a graça de Deus é mais coerente que um pregador/adepto da teologia da prosperidade que de vez em quando usa versículos bíblicos para falar de Cristo”.
Não dá para falar de Páscoa Cristã sem dizer da Páscoa Judaica (Leia o livro de Êxodo, especialmente o capítulo 12). Ninguém entenderá o sentido da Páscoa se não compreender onde e porque tudo começou. A morte e ressurreição de Cristo é o centro da história da humanidade, mas para ser nosso centro como pessoa, temos que ir ao significado do cordeiro no AT para então prosseguirmos para le grand finale no calvário, na passagem (páscoa) do AT para o NT. Devemos voltar aproximadamente 1.450 a.C. na história do judeus para entendermos o que João Batista quis dizer quando apontou o dedo na direção dum Nazareno e disse: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
Continua em próximo artigo.
© www.uvasroxas.com
[O texto ficou extenso, pensei em publicá-lo integralmente, mas isso dá "preguicinha" em alguns leitores, pois a segunda coisa que fazemos ao ver um texto é averiguar seu tamanho, a primeira é ler o título. Pois bem amigos uvas roxas, fragmentaremos o texto em alguns artigos, vamos juntos e que façamos uma boa viagem através da cruz de nosso Senhor]
Fonte da imagem: eu sou mais crente que voce

Neopentecostais e afins em momento de adoração
Artigo anterior relacionado: Pesos mortos esperneantes
Por Lucianno Di Mendonça
No filme O palhaço de Selton Mello, o mundo maravilhoso do palhaço Benjamin está incolor, inodoro, sem forma, vazio... insuportável, pois, está passando por uma crise existencial/vocacional. Além de ser uma grande obra da Sétima Arte que se tornou livro, fala-nos muito forte ao coração quanto ao assunto que estamos abordando.
Sabe essas frasezinhas de efeito religioso fora de contexto para gerar um fim distorcido? Ontem no facebook vi uma que dizia: “a ociosidade é a mãe de todos os vícios”. Mas o líder igrejeiro que a postou se “esqueceu” de dizer o autor e principalmente, o final da frase. Que tipo de ociosidade ele quer dizer? Não pode descansar? Dormir? Brincar? Esticar as pernas sem fazer nada? Não pode ter tempo para pensar? Não pode recusar participar de uma reunião porque quer ficar atoa? Ou, está proibido tomar água de coco após uma caminhada sem que isso o faça "perder" tempo? Não pode não ir a “igreja” para ficar em casa com a família? Essa última lhe faz um “caído” lendo um herege (se não quiser problemas com seus “líderes” pare de ler uvasroxas.com).
Mas nem tudo no trabalho desevangelístico na igreja do facebook é lixo, acabei de ver uma frase que diz: “matar um leão por dia é fácil, difícil é desviar-se das Antas”. Acho que depois dessa as antas do reino animal merecem um pedido de desculpas por essa infeliz associação.
Quem publicou a (primeira) frase fragmentada no face deve ter ouvido algum de seus pastores dizer isso num ambiente bastante emocional e persuasivo. Mas compreendo, já estão acostumados a fazer isso com versículos bíblicos para um fim totalmente distorcido do que a Bíblia diz.
Quem disse essa frase foi o filósofo francês Émile-Auguste Chartier e o final do provérbio é: “mas também é a mãe de todas as virtudes”. Se o "fantástico" líder igrejeiro fosse honesto chegaria a essa conclusão: se os vícios são filhos do ócio, da mesma forma não há virtude sem a ociosidade (risos). Mudou um pouco ou totalmente o entendimento? Resumindo: trabalhe o suficiente, mas não se esqueçam de descansar o suficiente negadis. Saiba que o ócio será mais criativo e produtivo tanto mais em paz estiver, e se for para adquirir algum vício que seja o de não deixar nenhuma anta ungida pisotear sua mente, e se for para adquirir virtudes, que a principal seja a de pensar por si mesmo, colocando seu cérebro no seu devido lugar: na sua cabeça, e não debaixo do braço ou na mão imunda de outros. 
A mensagem subliminar quando alguém diz que a "ociosidade é a mãe de todos os vícios" é a seguinte: os membros-operários-escravos-bitolados de sua igreja-empresa-manicômio têm que trabalhar ininterruptamente para a “igreja” restrita a quatro paredes. Participar de todas as quadradas programações e agendas. Liderar uma célula ou grupo pequeno enquadrado segundo uma visão cega do evangelho. Enquanto descansa carrega pedras quadradas e irremóviveis. Fazer discipulado quadrado segundo uma cartilha pré-moldada. Frequentar cursos e reuniões de liderança quadrada, estar no “caminho do vencedor" enquadrado. Trabalhar muito para dar muito dinheiro para a obra de Gigius. Etc ao quadrado.
E, finalmente e mais importante, se tornar um louco chato elevado a décima potência, com capa de “homem e mulher de Deus”, retransmitindo bobo-alegremente essa neurose a outros, e ir feliz e REDONDO para o céu da boca das antas ungidas.
Pode parecer irrelevante, mas essa frasezinha estúpida tem levado milhões se afundarem em trabalhos e atividades, e quando estão no ócio, sentem-se culpadas, têm a impressão que Deus está com um chicote na mão impelindo-os ao trabalho, perturbam-se não tendo paz em momento nenhum, muitos tornam-se esquizofrênicos. E o significado de vocação para ele(a) é: “o que outros querem que você faça por eles, e pelo que eles pensam que querem para si mesmos em nome duma grandiosa causa que vai ‘salvar’ a humanidade”.
Essa confusão vocacional acontece em todas as áreas, não somente no âmbito religioso. O jovem que tem que “dar continuidade” nos negócios da família pode passar pela mesma angústia. Noel Rosa após deixar o aclamado curso de medicina nas primeiras décadas do século passado na charmosa cidade do Rio de Janeiro disse: "prefiro ser um bom sambista a um mau médico".
O que quero dizer desde que começamos falar nesse assunto (clique aqui para ler a partir do primeiro artigo) é que tudo no mundo favorece contra atentar-nos para as nossas vocações. Não pode haver realização, propósito, sentido, significado fora da vocação, mas não essa vocação gasta e desbotada comumente entendida pela maioria das pessoas.
Continua em próximo artigo.
© www.uvasroxas.com
Com raras exceções, a absoluta maioria daqueles que se posicionam contra o cristianismo não sabem o que estão falando, bem como, a grande massa dos cristãos também não fazem ideia e não se interessam em responder racionalmente àqueles que contradizem sua fé, tornando-se assim uma gritaria de surdos e desfile de sabedoria vaidosa. Fico observando como a falta de informação gera arrogância nas pessoas, não deveria ser o contrário? Pois bem, nesse video, podemos aprender muito sobre várias linhas de raciocínio quanto ao início de tudo, e ver que o que não vemos, pode ser mais real que a realidade a qual enxergamos. O prof. Adauto Lourenço, argumenta baseado em evidências científicas, e que a fé antes de mais nada passa pelo entendimento, e não fé pela fé. Boa viagem!
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